Sempre procurei nos livros a oportunidade de conhecer vidas diferentes da minha, talvez por isso tenha preferido, durante muito tempo, histórias reais. Mas a ficção vem ganhando espaço nas minhas leituras, e A Cabeça do Santo, de Socorro Acioli, me lembrou que uma história inventada também pode ampliar o nosso olhar sobre o mundo.
Foi um daqueles livros que terminei rápido porque queria continuar, não por pressa de chegar ao fim. A curiosidade sobre o que aconteceria com Samuel se misturava ao carinho por ele: eu queria saber qual seria seu próximo passo, mas também torcia para que a vida lhe oferecesse alguma gentileza.
A escrita tem uma fluidez que me conquistou. A linguagem é acessível, e os diálogos preservam a espontaneidade de uma conversa, com expressões e um humor que dão voz própria aos personagens. Em muitos momentos, eu tinha a sensação de ouvi-los. Essa naturalidade aproxima a gente da história sem diminuir o peso do que está sendo contado.
Os personagens também não me deixaram indiferente. A fome e o desamparo de Samuel despertaram compaixão; a trajetória de sua mãe, carinho e admiração. Já Helenice, mãe de Madeinusa, me provocou uma raiva enorme, especialmente quando enxota Samuel com uma vassoura. Esse envolvimento fazia com que os acontecimentos importassem para mim: eu já estava emocionalmente ligada àquelas pessoas.
Entrar numa realidade tão distante da minha foi outra parte importante da experiência. Ler sobre outras condições de vida me ajuda a reconhecer meus privilégios e a situar melhor a minha própria realidade. Aqui, a pobreza deixou de ser uma ideia abstrata e ganhou o rosto de alguém cujo destino eu queria acompanhar.
O final me deu a sensação de uma história bem concluída. Ainda assim, ficou a saudade de estar dentro dela. Fechei o livro satisfeita, mas com vontade de encontrar outra leitura que me envolvesse daquele jeito.
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Depois de terminar, descobri que a cabeça de Santo Antônio que inspira o livro existe de verdade, em Caridade, no Ceará. Gostei de saber que Socorro Acioli partiu de algo real para construir aquele universo. Para alguém que sempre preferiu histórias reais, como eu, essa ligação tornou a leitura ainda mais interessante.

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